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Última edição passo 1
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A PARÁBOLA DO FILHO QUE NÃO ERA PRÓDIGO!
Lc.15:11-32

“Certo homem tinha dois filhos.”
Assim começa Jesus a sua lição sobre a graça e a misericórdia de Deus.
Por conveniência ou por necessidade, geralmente preferimos pôr a ênfase na parte da narrativa que descreve o comportamento rebelde do filho mais novo, ao abandonar a casa do pai para seguir o seu próprio caminho, e na atitude contrita e humilde com que volta, sendo recebido festivamente, do que no comportamento submisso, obediente e irrepreensível do filho mais velho que nunca se afastou um milímetro da vontade e da casa do pai, mas que no entanto, está muito longe de conhecer a generosidade e a bondade do pai que tem!
Em verdade, há que admitir o facto de termos mais afinidade com o filho mais velho do que com o mais novo!
A razão é simples.
Temos clara noção da importância de um testemunho exemplar, de um comportamento digno e consentâneo com pessoas que fazem profissão de servir a Deus. v.29
Sempre temos permanecido em casa de nosso Pai. Esforçamo-nos por cumprir as suas ordens. Não transgredimos deliberadamente os seus mandamentos.
Somos fiéis. Somos sinceros. Somos íntegros (pelo menos na maior parte do tempo!).
Mas, apesar de tudo isto, lamentavelmente, não conhecemos o Pai que temos! 1Co.15:34
Temos uma visão míope em relação à sua graça e misericórdia. Uma imagem deformada da sua grande bondade, generosidade e amor!
Somos semelhantes àquele servo para quem o seu senhor era visto como um homem rigoroso, duro, que tirava o que não depositara, e ceifava o que não semeara, assim, em vez de aproveitar para fazer render e desfrutar da bênção que lhe fora dada, com medo, escondeu-a! Lc.19:20,21; Mt.2524,25
A graça e a misericórdia de Deus foram postas à nossa disposição, em Cristo Jesus. Não precisamos sair da casa do Pai para o perceber!
“Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.” Hb.4:16
Não deturpemos o sentido das palavras. Não diz aqui: Para que peçamos misericórdia e busquemos graça, mas: Para que recebamos misericórdia e achemos graça!
É substancialmente diferente. Tem a ver com confiança!
Este filho mais velho (e a tendência é esta) muito se indignou com seu pai, porque “o bezerro cevado”, que era guardado para as celebrações especiais, ter sido sacrificado injustamente para comemorar a volta do filho rebelde, enquanto ele, o obediente, nunca ter tido direito sequer a um cabrito para se alegrar com os seus amigos! v.29
É perfeitamente compreensível a sua indignação!
Estamos na presença de um atentado à justiça!
Tal e qual aquele que foi praticado contra os trabalhadores da vinha que trabalharam o dia todo para receber exatamente o mesmo que os outros que trabalharam menos! Mt.20:1-16
Nisto devemos estar de acordo: É razoável e compreensível tanto a sua indignação quanto a sua queixa! Mas, será justa?
“Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas.” v.31
Equivale a dizer: Filho, esta é a tua casa, e tudo o que é meu é teu também. Serve-te.
O cabrito que ele tanto desejou e nunca recebeu, nunca lhe foi negado, porque ele nunca o pediu! Nem precisava de o fazer!
Tudo estava à sua disposição, e ele não o percebeu!
Sempre se preocupou em fazer tudo tão direitinho, que se esqueceu de desfrutar dos benefícios que a sua posição de filho lhe conferia!
Vivia a sua vida tão concentrado em si mesmo, tão dependente das coisas que fazia, que perdeu de vista a generosidade e o amor sempre presentes do pai!
Quantas vezes teve a oportunidade de se alegrar com os seus amigos, e a desperdiçou porque teve medo. Mesmo fazendo o que era certo, teve medo de não ser merecedor. Medo de não ser correspondido. Medo de ser rejeitado.
Com efeito, à medida que vamos “envelhecendo” no Senhor, corremos um maior risco de nos tornarmos amargos fariseus legalistas, mais confiantes nas nossas “boas obras” do que na graça e na misericórdia de Deus, mais dependentes da nossa capacidade do que do poder de Deus!
Não há nada de errado em dar “o dízimo da hortelã, do endro e do cominho”, o problema é quando negligenciamos o mais importante: a justiça, a misericórdia e a fé! Mt.23:23
Não importa o número de anos registados na nossa folha de serviço para o Senhor, nunca irá depender “do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece”! Rm.9:16
Por esta razão, não devemos cessar de orar e pedir uns pelos outros, para que todos sejamos cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual, de modo a podermos andar diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus. Cl.1:9,10
Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.


08-02-2010

J.R.


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