![]() |
| » Início |
Última edição
![]() (para ouvir clique aqui) |
O JOVEM RICO Mc.10:17-22 Se tivéssemos que escolher a mais importante dentre todas as perguntas dirigidas a Jesus, esta encabeçaria a nossa lista: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna” (v.17). Exatamente na mesma linha daquela que fizeram a Pedro e aos demais apóstolos, os homens que ouviram o seu discurso no dia de Pentecoste: “Que faremos, irmãos? (At.2:37). Ou ainda, daquela que fez o carcereiro de Filipos a Paulo e a Silas, logo após o terramoto ter movido os alicerces do cárcere e aberto as portas e solto os grilhões de todos os presos: “Senhores, o que é necessário que eu faça para me salvar?” (At.16:30). Convém referir que existem duas atitudes contrastantes subjacentes a este tipo de pergunta: a sincera, genuína, consciente, e a dissimulada, falsa, interesseira! Este é o tipo de pergunta que jamais deveria ser feita de ânimo leve, por uma simples razão: Há um preço a pagar! (Mt.13:44). Parece que a abordagem exageradamente cerimoniosa e reverente deste homem não produziu o efeito desejado! “Pondo-se Jesus a caminho, correu para ele um homem que, ajoelhando-se, perguntou-lhe: “Bom Mestre, …” (v.17). Jesus não ficou assim tão impressionado! A sua resposta enxotou para longe as gralhas da lisonja e bajulação que mais do que uma vez tentaram encontrar pouso em Jesus! (Lc.11:27,28; Mt.22:16). “Sabes os mandamentos”, disse-lhe Jesus (v.19). A resposta dele, “Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade” (v.20), soa ligeiramente enfadada, como se Jesus, “o grande e bom” Mestre, afinal de contas, não tivesse nada de novo para lhe dizer! Há duas maneiras de encarar a interpelação deste homem, uma: eis aqui um homem, zeloso cumpridor dos preceitos da sua religião, mas, mesmo assim, insatisfeito com os resultados obtidos, daí a sua busca por uma certeza que apazigúe as suas dúvidas. A outra: eis aqui um homem, confiante nas suas boas obras, inchado na sua própria justiça, em busca da aprovação e do elogio de alguém reconhecidamente importante, para aumento da vanglória da sua auto-estima! Somos forçados a inclinarmo-nos para esta última! Note-se que Jesus omitiu, deliberadamente, os dois maiores e principais mandamentos: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”(Mt.22:37-39). Qualquer homem bem formado e bem-educado, que preze minimamente a sua honra e dignidade pessoais, tem consciência do que é moral e socialmente aceitável. Se esse homem for um religioso convicto, então, esta condição tende a acentuar-se ainda mais. O cumprimento de obrigações legais é possível a todo o homem, mas a prática do amor divino só é possível àquele que tem o coração saturado desse amor (Rm.2:14,15; Jo.5:42). A lei sabe o que é matar, roubar, adulterar, mas não sabe o que é ser misericordioso, compassivo, perdoador. Isto, só o amor conhece! (1Co.13:4-7) Jesus “o amou”, ao confrontá-lo com a verdade que ele precisava ouvir: “Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem, e segue-me” (v.21). Ninguém pode seguir Jesus enquanto o seu coração permanecer debaixo do jugo de outro senhor: “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt.6:24,21). O homem de coração dobre, dividido, inconstante, não reúne a condição básica para seguir Jesus: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim” (Mt.10:37) Este homem teve uma oportunidade soberana para seguir Jesus rumo à vida eterna, mas desperdiçou-a por causa de uma avaliação equivocada quanto aos valores a ter em conta: “Que aproveitaria ao homem ganhar o mundo todo, e perder a sua alma? Ou que daria o homem em troca da sua alma? (Mc.8:36,37). “Se algum de vós está querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar”(Lc.14:28-30). A decisão para seguir Jesus compete a cada um tomar – “Se alguém quiser vir após mim”, mas os requisitos necessários para o fazer ficam a cargo de Jesus – “negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mc.8:34). Aquele que se predispõe a seguir Jesus deve estar consciente logo desde o início da caminhada do sentido das prioridades: “Disse (Jesus) a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá enterrar meu pai. Respondeu Jesus: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos, porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me primeiro despedir dos que estão em minha casa. Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc.9:59-62). Infelizmente, à semelhança deste homem, muitos há que contrariados “com esta palavra”, acabam por se retirar tristes por não estarem dispostos a remover do caminho o tropeço do seu coração! (v.22). Não há projeto de vida mais extraordinário do que seguir Jesus. Jesus não disse que era impossível aos ricos entrar no reino de Deus, mas, “quão dificilmente” entrariam no reino de Deus os que tivessem ou confiassem nas riquezas (Mc.10:23,24). Por isso mesmo, terminamos com esta palavra de ordem dada pelo apóstolo Paulo a Timóteo, seu filho na fé: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna”(1Tm.6:17-19). Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus nosso Senhor. 16-08-2010 J.R.
topo ^ |