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OS CRENTES “LAODICENSES” (Ap.3:14-22) Escatologicamente falando, um grande número de intérpretes das Escrituras é unânime em considerar a igreja de Laodicéia representativa da igreja dos últimos dias. Sendo certo que as opiniões e as considerações se assemelham muito com as estatísticas, valendo o que valem, não deixa, contudo, de ser um facto a condição deplorável da igreja atual (mesmo que só alguns se atrevam a reconhecê-lo, e a denunciá-lo!). Se já era terrível (no caso da igreja de Éfeso, a primeira mencionada), estar na eminência de ver o seu candeeiro removido do lugar, quanto mais aterrador será estar prestes a ser vomitado da boca do Senhor!? O modo como Jesus se apresenta à igreja de Laodicéia (e às demais), constitui por si só um fator revelador da sua condição espiritual. Ora vejamos: “Isto diz o Ámem” (v.14). “Pois quantas promessas há de Deus, têm nele (em Jesus Cristo) o sim, e por ele o amém, para a glória de Deus por nosso intermédio” (2Co.1:20). Toda a vontade de Deus, o Pai, encontrou em Jesus, o Filho, o sim, o ámem. Do mesmo modo, também em nós, a vontade de Deus precisa ser acolhida, recebida, amada e cumprida, pois se não for a vontade de Deus a reger a nossa vida, imediatamente outras vontades se levantarão e tomarão o seu lugar. Depois, que motivo temos para pensar e esperar que as promessas de Deus se cumpram em nós, quando não existe em nós nem o desejo nem a disposição para fazer a sua vontade!? “A testemunha fiel e verdadeira”. “O Filho é o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb.1:3). Por meio de Jesus, Deus, o Pai, deu testemunho ao mundo de si próprio. Tudo o que podemos conhecer do Pai é plenamente manifesto no Filho. Quem vê o Filho vê o Pai; quem conhece o Filho conhece o Pai (Jo.14:9). Não deveria acontecer assim connosco hoje? Onde estão as testemunhas fiéis e verdadeiras de Jesus? Aquelas que dão testemunho dele, e não de si mesmas! Aquelas que buscam a glória dele, e não a sua! Aquelas que vivem para ele, e não para si! “O princípio da criação de Deus”. “Ele é a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criação” (Cl.1:15). Jesus tem a primazia sobre toda a criação. Ele é a primeira e a mais proeminente referência para toda a criação. E, assim como ele é as primícias de toda a criação, também o Pai “nos gerou pela palavra da verdade, para que fossemos como que primícias das suas criaturas” (Tg.1:18). Ora, como sabemos, as primícias eram consagradas ao Senhor (Ex.34:26; Pv.3:9), de modo que, “se as primícias são santas, também a massa o é” (Rm.11:16), ou seja, se aquele que nos chamou é santo, também nós o devemos ser em todo o nosso procedimento (1Pd.1:15). Bem, santidade não era certamente a marca distintiva dos crentes laodicenses! “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente: Quem dera fosses frio ou quente!” (v.15). Há uma correspondência direta entre esta declaração de Jesus, e a que se segue: “Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens” (Mt.5:13). Poderá uma bebida morna refrescar alguém num dia quente de verão, ou aquecer alguém num dia frio de inverno!? Para Jesus só resta uma alternativa: cuspi-la fora! (v.16). Mas, afinal, o que significa ser morno? É estar satisfeito consigo próprio, satisfeito com as suas realizações, satisfeito com as suas conquistas; muito à semelhança daqueles a quem o Senhor se referiu, quando disse: “Naquele tempo esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os que estão tranquilos e satisfeitos, que são como o vinho deixado sobre a borra, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem faz mal” (Sf.1:12). E, como se não bastasse, ainda se consideram auto-suficientes: “Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta” (v.17). Não se sujeitam a ninguém, não aceitam reparos ou conselhos, e ainda menos, qualquer tipo de correção ou disciplina. Ufanados e enfatuados na sua mente carnal vangloriam-se na justiça das suas obras e no sucesso dos seus empreendimentos, buscando satisfazer, acima de tudo, os anseios do seu coração e os sonhos grandiosos que os movem rumo ao estrelato. São egocêntricos, em vez de Cristocêntricos! Como é diferente, na verdade, diametralmente oposta, a visão que têm de si mesmos, quando comparada com a que Jesus apresenta: “Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (v.17). Não sabem? Não. Falharam completamente o alvo, ao perderem de vista o propósito divino estabelecido, invertendo as prioridades e estabelecendo os seus próprios projetos e planos, tomando como referência exemplos humanos, e não o exemplo de Cristo. Não conhecem o amor de Jesus, a bondade de Jesus, a compaixão de Jesus, a santidade de Jesus, a justiça de Jesus e, principalmente, a humildade de Jesus, para viverem e servirem, exclusivamente, na dependência da graça e do poder de Deus, e não na força do seu braço. “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças” (v.18). Onde está, verdadeiramente, a nossa riqueza? Quem é, verdadeiramente, a nossa mina? “A eles (aos seus santos) Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl.1:27). Cristo é a nossa riqueza. É o nosso ouro refinado e purificado no fogo. É a nossa “sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” (1Co.1:30). “e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez” (v.18). Por mais boas obras que praticássemos, todos nós, sem Cristo, estávamos, aos olhos de Deus, completamente nus. E, assim permaneceremos se em vez de recebermos a justiça que vem de Deus, pela fé em Cristo, procurarmos estabelecer e viver em função da nossa própria justiça (Rm.10:3; Fl.3:9), para parecermos aos homens que somos justos (Lc.18:9). “Não mintais uns aos outros, pois já vos despistes do velho homem com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl.3:9,10). “e colírio, para ungires os teus olhos, a fim de que vejas” (v.18). Esta falta de visão, esta cegueira espiritual tem alastrado nestes últimos dias, tal e qual uma epidemia. O entendimento se entenebreceu, o discernimento se embotou e grandes massas de crentes têm caído no abismo, guiadas por outros cegos (Lc.6:39)! “Olhai para ele, e sede iluminados; os vossos rostos não ficarão confundidos” (Sl.34:5). Se os olhos do nosso entendimento não forem iluminados, como poderemos saber qual é “a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder para connosco”? (Ef.1:18,19). Só ele possui o colírio que nos cura da cegueira e nos permite ver o caminho que está posto diante de nós, a saber: o caminho de Jesus. Mas, atenção que há um preço a pagar! Tudo o que é valioso ou precioso tem um preço a pagar. O nosso é o preço da fidelidade ao Senhor, mediante um compromisso sério assumido sem restrições nem constrangimentos, numa pronta e firme disposição em atentar para o seu conselho, aceitar a sua disciplina e, obedecer-lhe. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo” (v.19). Graças a Deus, é sinal de que ainda há tempo e lugar para o arrependimento. A situação não é irreversível (Hb.12:16,17). Daí este alerta, este chamado ao arrependimento. Jesus não desistiu, não abriu mão dos que considera seus. O seu amor ainda vigora, ainda opera, ainda clama: “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (v.20). Que significa isto que Jesus está a dizer!? Ele está à porta? Do lado de fora? A casa não é sua? Parece estranho? Pois é. Eles são crentes, e são igreja (v.14), mas o Senhor está do lado de fora, dos seus corações e das suas vidas! E, ao contrário dos crentes efésios que haviam deixado o seu primeiro amor, estes nunca sequer o haviam experimentado! Receberam a salvação de Jesus, mas não o seu senhorio. Precisavam da experiência transformadora que só um encontro pessoal com Jesus é capaz de realizar, que só a mesa da comunhão pode proporcionar. De que vale crer em Jesus, e depois seguir atrás da procissão? Crer em Jesus, e permanecer sempre igual? Com o mesmo sabor, e o mesmo cheiro? “Moabe esteve descansado desde a sua mocidade, como o vinho sobre os resíduos, não foi mudado de vasilha para vasilha, nem foi para o exílio. Por isso conservou o seu sabor, e o seu cheiro não se alterou” (Jr.48:11). Portanto não admira o fim que lhe sobreveio, nem o que Jesus estava na eminência de fazer à igreja de Laodicéia. Comodismo, conformismo e estagnação é uma morte anunciada. O ministério de Jesus é de vida, abundância de vida (Jo.10:10), e não de morte. Onde ele reina, a vida se manifesta, floresce, frutifica, prospera, vence. “Ao que vencer, dar-lhe-ei assentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (v.21). Para Tiago e João (e sua mãe), em determinada altura, lhes parecia que o lugar de maior honra, no reino da glória vindoura, era sentado ao lado de Jesus (Mc.10:37), mas esta promessa de Jesus dada ao que vencer nestas circunstâncias (as mesmas com que nos deparamos hoje), nos parece bem melhor. Jesus, depois de haver “feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da Majestade nas alturas” (Hb.1:3b), não num pequenino trono que o Pai mandara fazer propositadamente para ele, mas no seu próprio trono, no trono da sua glória! E, agora, Jesus se propõe dar a todos os vencedores o mesmo prémio que o Pai lhe deu a ele. Extraordinário! Maravilhoso! Se para aqueles trabalhadores da vinha, aqueles que trabalharam apenas uma hora, ter recebido o mesmo salário que os outros que trabalharam o dia inteiro (Mt.20), deve ter sido motivo de surpresa e grande alegria, quanto mais para nós, receber a mesma recompensa que Jesus, quando, praticamente, ele já fez o trabalho todo! Então, de que estamos à espera? Mãos à obra! A graça seja convosco. 10-04-2013 J.R.
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