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Última edição passo 1
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O LEVITA DE EFRAIM

Jz.19, 20

Apesar das muitas atrocidades e atos de violência extrema registados nas Escrituras, este é, muito provavelmente, um dos mais sórdidos e macabros de todos!
Imaginem o que é receber uma encomenda pelo correio contendo um pedaço de um corpo humano, juntamente com um bilhete, dizendo: Tu és responsável por isto!
A intenção do levita ao despedaçar o corpo da sua concubina em doze partes, enviando-as a todas as tribos de Israel, era, precisamente, chamar a atenção e imputar a todos a responsabilidade de assumir uma posição perante a maldade praticada entre o povo de Deus.
Se isto se tivesse passado em Sodoma (Gn.19:5), não seria de estranhar, mas isto aconteceu em Gibeá, terra de Benjamim!
É importante salientar que o levita recusou a sugestão do seu moço para pernoitarem em Jebus, porque considerou que uma cidade dos filhos de Israel, como Gibeá ou Ramá, seria sempre um lugar bem mais seguro para passar a noite do que uma cidade estrangeira como aquela! (v.12).
Não podia estar mais errado!
Não só tiveram dificuldade em achar quem os hospedasse (v.15), como depois de recebidos em casa deste homem idoso da região montanhosa de Efraim (curiosamente a mesma região de onde procedia o levita, v.1), se viram confrontados com estes energúmenos, que não tiveram qualquer respeito pelo dono da casa, exigindo que lhes entregasse o homem (não a mulher!), para dele abusarem! (v.22).
Convém referir, desde já, que o nosso objetivo ao analisar um acontecimento desta natureza, não é defender, nem justificar o levita pelo que fez, pois a maioria não teria feito nada, daí cada um que via tal coisa dizer: “Nunca tal se fez, nem se viu desde o dia em que os filhos de Israel subiram da terra do Egito, até o dia de hoje” (v.30), mas ponderar e considerar (como nos é proposto pelo narrador, v.30) se as abominações e os estupros praticados nos dias de hoje entre o povo de Deus, do qual fazemos parte, devem merecer da nossa parte a atenção devida e a justa condenação!?
A escolha é entre a indiferença para a impunidade, e a responsabilidade para a justiça.
Ou seja, ou consideramos que o que os outros membros da família cristã fazem não é da nossa conta, sacudimos os ombros e vamos à nossa vida; ou consideramos que, mesmo não sendo da nossa competência tomar medidas concretas (quando a ação ocorre fora da nossa jurisdição congregacional), é, contudo, da nossa responsabilidade assumir uma posição clara e coerente com a justiça e a verdade, a pureza e a santidade daquele a quem dizemos servir.
Tomemos como referência estas palavras do apóstolo Paulo: “Já por carta vos escrevi que não vos associásseis com os que se prostituem.
Com isto não quero dizer propriamente com os impuros deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras. Nesse caso vos seria necessário sair do mundo.
Mas agora vos escrevo que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador. Com o tal nem ainda comais” (1C.5:9-11).
Os filhos de Israel não ficaram indiferentes perante o sucedido, de maneira que se congregaram em Mispa, “quatrocentos mil homens de pé que puxavam da espada” (20:2), para se inteirarem dos acontecimentos, tendo decidido por unanimidade (v.8), exigir dos filhos de Benjamim a entrega daqueles homens que haviam cometido tal loucura, a fim de exterminar o mal de Israel (v.13).
Estranhamente, tal não veio a acontecer!
Os filhos de Benjamim reuniram-se em Gibeá, “vinte e seis mil homens que puxavam da espada, afora os moradores de Gibeá” (v.15), e se prepararam para pelejar contra Israel.
Como é possível haver entre o povo de Deus quem se ponha ao lado dos transgressores e dê guarida ao mal?
Não sabem que diante de Deus são tão culpados aqueles que praticam tais coisas, como aqueles que as aprovam!? (Rm.1:32).
Esquecem-se do que aconteceu no tempo de Josué, com Acã, onde por causa da desobediência de um só homem, os filhos de Israel sofreram uma humilhante derrota (além do que veio a suceder ao próprio Acã e respetiva família)!? (Js.7).
E que a palavra do Senhor falada ali (“Coisas condenadas há no meio de ti, ó Israel. Não poderás suster-te diante dos teus inimigos, enquanto não tirares do teu meio as coisas condenadas”, v.13), não se restringe àquele tempo, nem àquela situação em particular, visto ser um princípio dinâmico, ou lei, permanentemente em vigor no reino de Deus!?
A diferença entre esta situação passada no tempo de Josué e a que estamos a analisar, está no facto de esta ser uma guerra fratricida!
E, como aqui aconteceu (na primeira investida, caíram dos homens de Israel vinte e dois mil, v.21; na segunda, foram derrubados mais dezoito mil de Israel, v.25; na terceira vez, dos filhos de Benjamim, caíram ao todo vinte e cinco mil, escapando apenas seiscentos homens que se esconderam, v.47), ninguém sai vencedor numa luta entre irmãos, ninguém tem motivo para cantar vitória, mas aqueles que se põem ao lado dos transgressores têm muito mais a perder (por causa da maldade de alguns, uma tribo inteira esteve perto do extermínio!).
Quando acontecem escândalos entre o povo do Senhor, qual a igreja, ou congregação que se alegra, ou lucra com isso!?
Na verdade, é isto que dá ocasião aos escarnecedores, e ao mundo de blasfemar do nome de Deus (2Pd.3:3; Rm.2:24).
Jesus já havia avisado os seus discípulos, dizendo: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem!
Melhor fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos” (Lc.17:1,2).
Por que razão foi Jesus tão severo na sua censura aos escribas e fariseus?
Por que razão expulsou os vendilhões do templo?
Por que ele não se alheou de tudo isto e prosseguiu sobranceiramente o seu caminho?
Porque a honra e o nome de Deus estavam a ser profanados, precisamente por aqueles que tomaram sobre si o encargo e o dever de o santificar!
O povo do Senhor, independentemente do lugar onde se reúna, e da congregação ou denominação a que pertença, não tem que pactuar e ser conivente com as obras destes “mercenários” (Jo.10:12,13) que, encobertamente, vão introduzindo “heresias destruidoras”, fazendo com que por causa deles seja “blasfemado o caminho da verdade” (2Pd.2:1,2).
“E não vos associeis com as obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as.
Pois o que eles fazem em oculto, até dizê-lo é vergonhoso” (Ef.5:11,12). Disse o apóstolo Paulo.
Assim como também o profeta Jeremias havia dito da parte do Senhor: “Entre o meu povo se acham ímpios que estão à espreita, como passarinheiros e como os que colocam armadilhas para apanharem homens.
Como uma gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de engano; engrandeceram-se e enriqueceram, tornaram-se gordos e nédios. Os seus feitos malignos não têm limites; não julgam a causa dos órfãos, para que prosperem, nem defendem o direito dos necessitados.
Não castigaria eu estas coisas? Diz o Senhor. Não se vingaria a minha alma de uma nação como esta?
Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra:
Os profetas profetizam falsamente, os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles, e o meu povo assim o deseja. Mas o que fareis quando chegar o fim?” (Jr.5:26-31).
Verdadeira é a palavra do salmista que diz: “Visto que amou a maldição, ela lhe sobrevenha; não desejou a bênção, ela se afaste dele” (Sl.109:17).
Ninguém precisa hoje de vindicar, literalmente falando, a honra de Deus como fez Finéias, neto de Arão, em Baal-Peor, porque a ira de Deus já foi aplacada por Cristo Jesus na cruz (Nm.25:10-13; Ef.2:3-7).
Mas, no entanto, todos precisamos ter o mesmo zelo como Finéias e Jesus (Jo.2:17), nas coisas concernentes a Deus.
A igreja do início possuía uma característica que explica o poder nela existente: “Era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns” (At.4:32).
Daí que os apóstolos dessem, “com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus”, e em todos eles houvesse abundante graça (v.33).
Se na união ou unidade dos irmãos, o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl.133).
Se onde há bênção e vida aí está a presença do Senhor.
Se a presença do Senhor é sinónimo de poder e santidade.
Então, onde há o espírito de unidade, aí está presente e em operação o espírito de poder e santidade.
Assim quando Ananias e Safira, sua mulher, concordaram entre si em levar a cabo aquele embuste, não houve necessidade de Pedro reunir com toda a igreja para juntos decidirem qual seria a medida mais adequada a tomar, a fim de eliminar aquele mal de entre o povo.
O poder da santidade se encarregou dessa tarefa.
Podemos definir a ação da santidade nestas palavras do apóstolo Paulo: “E estaremos prontos para punir toda a desobediência, quando for cumprida a vossa obediência” (2Co.10:6).
Ou seja, na obediência de todos, a rebeldia e a desobediência de alguns será punida.
Na santidade de todos, a imoralidade e a impureza de alguns será repugnante.
Na humildade de todos, o orgulho e a altivez de alguns será imundo.
Na sinceridade de todos, a hipocrisia e a falsidade de alguns será vergonhosa.
Na integridade de todos, a injustiça e a desonestidade de alguns será desastrosa.
Logo a seguir vemos que, operando neste clima de unidade e santidade, “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (5:12); “a multidão dos que criam no Senhor, tanto de homens como de mulheres, crescia cada vez mais” (v.14); e até “das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, e todos eram curados” (v.16).
Por último, como apontamento final, lembramos que a igreja que Cristo amou e a si mesmo se entregou para santificar e purificar, lhe será apresentada naquele dia em glória, “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef.5:25-27).
Assim deve ser a condição de cada célula viva que constitui o corpo desta igreja.
A graça seja convosco.
 


25-01-2012
   J.R.

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